[FICHA] GUNARSSON, Seth A.

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Seth A. Gunarsson
Jornalistas

Postado em Ter Ago 02, 2016 2:22 pm



NOME COMPLETO
SETH AEGIR GUNARSSON
IDADE
20 anos
NACIONALIDADE
ISLANDESA
GRUPO PRINCIPAL
ADULTOS
SUBGRUPO
JORNALISTA
PROFISSÃO/CARGO
FOTÓGRAFO
CLASSE SOCIAL
CLASSE MÉDIA
A., 18, MP
personalidade
"Hoje disputei com o céu
Quem faria a maior chuva
Ele ficou todo escuro
Apelou, jogou sujo
Mas seus raios e trovões
Não eram maiores que minhas decepções
E para seu espanto
Sua tempestade foi garoa
Perto do meu pranto"

— Jean Carlo Barusso, mas bem que poderia ser Seth Aegir Gunarsson


história
"nós temos na língua portuguesa
mais de 400 mil palavras
eu não consegui usar nenhuma delas
pra evitar que você fosse embora."


Isso porque eu não sei usar as palavras – nem da língua portuguesa, nem da inglesa, que eu falava contigo, nem da islandesa, que foi a que ouvi na época em que ainda era acalentado. Essa citação só serve pra deixar isto ainda mais óbvio, e começar isso do jeito mais certo: cito porque não sei usar palavras. Começo por sua partida, porque, mau escritor que sou, só saberia começar isso pelo final. Você me deixou, e fim. Supostamente, aqui seria um recomeço, e agora sim eu iniciaria qualquer história interessante sobre ter te superado, mostrando orgulhoso que minha história, na verdade, começou quando você se foi.

Seria mentira, sabe? Aquele foi seu fim definitivo. Novamente: sou um mau escritor, mau personagem, não sirvo pra qualquer coisa digna de nota. Até você achar que eu servia pra você. Esse sim é o início da história – foi quando eu encontrei alguém capaz de usar as palavras certas, escrever um bom roteiro, tapear o público me ajeitando até me fazer parecer o protagonista de alguma coisa, não um mero figurante da sua história. Funcionou. Assim como tudo o que fazia, você fez isso de forma impecável. Eu, menino-perdido, conheci a Terra do Nunca e o País das Maravilhas ao mesmo tempo, quando você me guiava nessa história louca chamada vida e me mostrava que eu era capaz de fazer alguma coisa boa, sim.

Também era mentira, sabe? Minhas melhores fotos não eram obras minhas – tendo você em foco, nada no mundo poderia sair muito ruim. Mas foi com elas que você me fez acreditar que eu valia alguma coisa. Daí, me destrinchando, remexendo nas minhas gavetas e na minha alma, você descobriu o desenho. Aquilo foi o ápice. Você era a mulher das palavras, eu era o garoto das imagens, e nós éramos a dupla imbatível. Quando eu ainda era só um menino – não que a diferença de idade importasse para algum de nós dois –, você me transformou, de uma só vez, em fotógrafo, desenhista, homem-feito e seu.

E você? Você era fotografia pronta – nunca precisou de mim para apertar o botão e disparar o flash. Você era poesia pronta – tão incrível que era escrita por suas próprias mãos. Acho que todo o problema reside no fato de você sempre ter sido uma mulher pronta, enquanto eu ainda sou a porcaria de um garoto em construção.

Sim, assumo. Fingimos muito bem que eu era homem, mas você foi embora, e levou seus rascunhos de mim consigo. Quando eu ainda tinha forças para me manter na fase otimista, em que eu tentava com veemência acreditar que tudo isso traria algo de bom, cheguei à conclusão que sua ausência serviria para que eu me descobrisse. A verdade é que ali, abandonado e levemente desesperado, eu não sabia quem era eu. Não sabia quem era eu sem você. Agora, após tantos meses de procura desenfreada e noites mal-passadas, finalmente entendo. Eu sem você sou só a sua falta, meu bem. E sei que isso é absolutamente decadente. Mas é a verdade, e uma das mais doloridas.

Com você eu sou o fotógrafo, o desenhista, seu pintor particular, o cara que está sempre ensaiado para te tocar, o dono do sorriso mais sincero do mundo. Sem você, eu sou o cara à sua procura. O cara à sua eterna procura. E esse, embora talvez fosse bom para um filme romântico clichê, parece um péssimo papel para ser desempenhado na eternidade da vida real. E você, com toda a sua criticidade artística, sempre disse odiar péssimos papéis e filmes clichês. Então, por favor, volta. Reescreve o roteiro, muda a trama, as falas, altera os papéis. Mas faz tudo ter valido a pena quando os créditos subirem. Eu te imploro. Sem você, eu sou o tipo de cara que implora.  

Não, minto. Eu sou o tipo de garoto que implora. E não importa o que a data de nascimento na minha identidade diga. Sem você, sou um menino-perdido sem Terra do Nunca. E é por isso que essa história não tem começo: ela é toda um fim. O nosso fim. Tudo o que sou agora foi um jeito de tentar ser o cara que te encontra. Fotógrafo-jornalista, podia cobrir a matéria que te traria de volta. Se – tolo esperançoso, eu – quisesse voltar um dia, veria meu nome escrito nas páginas de um jornal e saberia onde me achar.

Eu sem você sou a sua espera. Então volta. Porque não dá pra fazer uma boa história só com desenhos e sem palavras – ainda que você seja mestre em construir histórias feitas de palavras e sem desenhos. Mas se não quiser voltar, se não for pra ser, de qualquer forma, obrigado por ser uma das minhas lembranças mais bonitas. E saiba que suas palavras são minhas favoritas...

...É com a lembrança que tenho delas que estou tentando arranjar um jeito de começar de vez essa tal de "história". Mas está difícil, meu bem.


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